O coração e a saúde cardiovascular

Tradução livre do texto, em inglês, Heart and Cardiovascular Health, dos médicos naturopatas Dr. Michael T. Murray e Joseph Pizzorno.

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[parte 1]

O sistema cardiovascular ou sistema circulatório é composto pelo coração e pelos vasos sanguíneos. Sua função principal é distribuir oxigênio e nutrientes vitais para as células por todo o corpo, além de auxiliar na limpeza dos canais por onde passa o sangue. Para cumprir sua função, o coração humano bate 104 mil vezes por dia, bombeando entre 9.600 a 19 mil litros de sangue através dos 96 mil e 500 quilômetros de veias e artérias por todo o corpo.

Em média, são 2,5 bilhões de pulsações ao longo da vida.

Obviamente, é preciso cuidar muito bem do coração diante de seu incansável esforço. Infelizmente, as doenças do coração juntamente com os derrames cerebrais lideram as causas de morte no mundo todo. Ambas são tidas como “doenças silenciosas” porque os primeiros sintomas ou sinais, em muitos casos, terminam em morte. A causa de ambas as condições é, geralmente, arterosclerose – ou o endurecimento das paredes das artérias.

Arterosclerose é uma doença subjacente às doenças cardiovasculares, a saber:

• Arterosclerose das artérias coronárias, também chamada de doença arterial coronariana ou simplesmente doença do coração
• Infarto do miocardio ou ataque do coração
• Embolia pulmonar, quando acontece o bloqueio das artérias dos pulmões
• Acidente vascular encefálico ou derrame cerebral.

As artérias coronárias são vasos sanguíneos que sustentam a musculatura do coração fornecendo oxigênio e nutrientes. Quando o sangue que flui nessas artérias está restrito ou bloqueado, o risco de sofrer um ataque do coração é iminente. Na maioria dos casos, o entupimento das artérias se dá pelo acúmulo de placa, uma combinação de colesterol, gordura, e restos celulares. O derrame é causado pelo bloqueio de uma artéria no cérebro.

Entendendo a arterosclerose

Para entender completamente todas as medidas naturais sugeridas aqui, primeiramente vamos examinar de perto a estrutura de uma artéria e o processo que desencadeia a arterosclerose.

Imagem: Arquivos Brasileiros de Cardiologia 

A estrutura da artéria

Uma artéria é dividida em três grandes partes:

1. A camada íntima ou endotélio é a parte interna (ou túnica interna) da artéria. Ele consiste na parte interna das células conhecida como células endoteliais. Moléculas de glicosoaminoglicanos (GAG) se alinham nas células endoteliais para protege-lo contra danos e promover reparo no caso de lesões.
Abaixo da superfície das células endoteliais está uma membrana elástica composta por uma camada de GAGs e micropartículas que protegem as células endoteliais e separam o endotélio da camada muscular lisa.

2. A camada média (ou túnica média) consiste principalmente das células musculares lisas. Contraposto entre as células estão os GAGs e micropartículas que protegem e dão elasticidade à artéria.

3. A camada externa (ou túnica adventícia), possui uma membrana limitante elástica que a separa da camada média, e consiste principalmente de tecido conjuntivo, incluindo GAGs, para garantir suporte estrutural e elasticidade à artéria.

O desenvolvimento da arterosclerose

Não existe uma única teoria que satisfaça todos os pesquisadores. No entanto, a explicação mais aceita é a de que as lesões arteriais começam como uma resposta aos traumas sofridos na camada interna das artérias, o endotélio.

O exemplo a seguir ilustra a inflamação causada pelo aumento do colesterol LDL.

                  Imagem: Daniel das Neves

Causas
A prevenção das doenças cardiovasculares envolve a redução e, quando possível, a eliminação dos fatores de risco.

Os fatores de risco são divididos em duas categorias: principais fatores de risco e outros fatores de risco.

Tenha em mente que algumas condições listadas em “outros” têm se mostrado mais importantes. Por exemplo, pode-se dizer que a resistência à insulina e índices elevados da proteína C-reativa (PCR), um importante marcador de inflamação, são muito mais importantes do que o colesterol elevado. É da mesma forma importante ressaltar que o risco de um ataque do coração aumenta exponencialmente à medida que os fatores de riscos aumentam.

Fatores de risco

Principais:
o Hábito de fumar
o Colesterol alto (especialmente LDL)
o Pressão alta
o Diabetes
o Sedentarismo

Outros:
o Proteína C-reativa elevada
o Resistência à insulina
o Baixa função da tireóide
o Falta de antioxidantes
o Falta de gorduras essenciais
o Formação de plaquetas agregadas
o Formação de fibrinogênio (proteína plasmática que participa da coagulação sanguínea)
o Baixo nível de magnésio e/ou potássio
o Homocisteína elevada
o Personalidade tipo A (saiba mais aqui)

Associação dos fatores de risco com a incidência de arterosclerose

Principal fator de risco e as chances de sofrer um ataque cardíaco (em %):

Presença de um dos fatores de risco – 30%
Colesterol alto + pressão alta – 300%
Colesterol alto + fumante – 350%
Pressão alta + fumante – 350%
Fumante + pressão e colesterol altos – 720%

Avaliação Clínica

As doenças cardiovasculares podem ser fatais, por isso, na suspeita de qualquer fator de risco, peça para seu médico os seguintes testes.

Laboratoriais

  • Colesterol total/LDL/HDL/VLDL
  • Proteína C-reativa
  • Lipoproteína/ Lp (a)
  • Fibrinogênio
  • Homocisteína
  • Ferritina (proteína produzida pelo fígado). Em excesso pode se acumular nos órgãos.
  • Lipídios totais e quilomicrons

Outros

  • Esteira
  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiograma

Um olhar mais atento aos principais fatores de risco

Cigarro

Talvez o fator de risco mais importante neste cenário seja o hábito de fumar. De acordo com as estatísticas, fumantes tem 70% mais chances de sofrerem um ataque do coração do que não-fumantes. Na média, fumantes morrem sete a oito anos antes do que não-fumantes.

O tabaco contém mais de 4 mil produtos químicos, dos quais 50 já foram identificados como cancerígenos. Todos esses produtos químicos são altamente prejudiciais ao sistema cardiovascular. Para se ter uma ideia mais específica, todos esses elementos químicos são carregados na corrente sanguínea pelas lipoproteínas de baixa densidade (LDL), danificando o epitélio ou a molécula dessa lipoproteína, fazendo com que ela sofra oxidação, criando LDL oxidados, que por sua vez causam danos às artérias.

Os níveis elevados de LDL pioram os efeitos do cigarro no organismo porque isso significa que mais toxinas vão trafegar pelo sistema cardiovascular, carregadas por essa lipoproteína. O hábito de fumar contribui para a formação de placas e coágulos nas paredes das artérias. Além disso, fumantes tem grandes chances de desenvolver pressão alta.

Mesmo fumantes passivos estão expostos aos riscos. Em outras palavras, quanto mais exposto ao cigarro, maiores as chances de desenvolver uma doença cardiovascular.

A boa notícia é: os riscos abaixam consideravelmente, cerca de 36% de redução na mortalidade, quando se abandona o hábito de fumar.

Colesterol alto

As evidências mostram que elevados níveis de colesterol aumentam significantemente o risco de morte por doenças cardiovasculares, especialmente os níveis de LDL.

Idealmente, os níveis de colesterol total devem ser menores do que 200 mg/dl. LDL deve ser menor do que 130 md/dl, HDL maior do que 40 mg/dl em homens e 50 mg/dl em mulheres, triglicérides menor do que 150 mg/dl.

O colesterol é transportado no sangue por lipoproteínas.

As lipoproteínas são fabricadas pelo próprio corpo para executar o transporte de partículas importantes para o organismo. A maior categoria de liproteínas são os VLDL, do inglês very-low-density lipoprotein, ou proteínas de densidade muito baixa, LDL (low-density-lipoprotein) e HDL (high-density-lipoprotein).

VLDL e LDL são responsáveis pelo transporte de gorduras (especialmente colesterol e triglicérides) do fígado para as células. HDL é responsável por recolher as gorduras das células e retorná-las para o fígado. Por conta dessa relação entre essas lipoproteínas, o aumento das taxas de VLDL e LDL são associados com o risco de desenvolvimento de arterosclerose, a causa número um dos ataques do coração e derrame cerebral. Em contrapartida, baixos índices de HDL estão associados ao baixo risco de desevolver doenças do coração.

Diabetes

Arterosclerose é o principal fator no desenvolvimento das complicações associadas ao diabetes. Diabéticos estão muito mais sujeitos à sofrerem ataques do coração ou derrame cerebral. 55% das causas de morte em diabéticos envolvem doenças cardiovasculares.

Pressão alta

A pressão alta ou hipertensão arterial é um alerta que não pode ser ignorado, pois ela é o maior indicador de risco para os ataques do coração e derrame.

Sedentarismo

O sedentarismo é outro indicador importante. A falta de atividade física contribui para o aumento de outros indicadores como a pressão alta, resistência à insulina, elevado níveis de gordura e obesidade. Com mais de um fator de risco em jogo, as chances de sofrer de doenças cardiovasculares aumentam consideravelmente.

A atividade física é importante tanto para quem quer prevenir doenças cardíacas quanto para quem está se recuperando de um infarto, doença cardiovascular periférica ou mesmo para quem quer manter os níveis de pressão arterial sob controle.

 

Referência:

Texto extraído da terceira edição do livro The Encyclopedia of NATURAL MEDICINE. (2012, Murray and Pizzorno N.D., New York, NY) pp. 146-153

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