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Chupeletin

Hoje, mais do que nunca, estou certa de que viajar é penetrar a alma dos povos.

Melhor ainda se vagar sem preconceitos e compartilhar dos momentos de sua história de vida com nativos.

Javier e Facundo são as nossas melhores recordações e nós desejamos saúde para poder revê-los em breve.

Saímos da Argentina com outro olhar.

Aliás, em Buenos Aires, quando André testava os walkie talkies e usou a contra senha “chupeletin”, nome que viu num pirulito à venda no mercadinho do bairro, alguém na mesma frequência respondeu: “te copio!”.

Quem será que nos copiou em terras argentinas?

Agora estamos por lá, copiados em algum lugar…

Diário de Bordo | San Martin de Los Andes 2010

Em poucas palavras, San Martin de Los Andes é uma cidade pequena e acolhedora.

Lembra muito Monte Verde, com seu centro repleto de lojas e construções de madeira.

Os restaurantes, todos, tem uma lareira, além de aquecedores para manter o ambiente num clima agradável e distante do frio de mais ou menos zero grau Celsius.

A cidade vive do turismo e possui uma boa estrutura.

Aqui, passamos pouco mais de uma semana e nossa principal atividade foi esquiar.

Chegamos com um dia claro, passamos por um dia de sol, e outros iluminados, mas com muita neve, especialmente na montanha.

Tudo nos encantou. Parecia mágica, até me dar conta de que sou humana e minhas trapalhadas são dignas de uma comédia para contar a nossa história em San Martin.

No primeiro dia, fomos alugar as roupas para neve, à noite, numa loja de nome Bumps, lotada!

André e sua conhecida tolerância para assuntos que envolvem barulho, suor e pessoas, ou melhor, brasileiros (aqui está cheio!) cotovelando-se, foi toda a essência de minha também tradicional paciência. Eu peguei as primeiras roupas que provei, imaginem uma calça sem botões, uma luva que cobria a metade de meus dedos e uma blusa quase perfeita, não fosse a minha ideia de colocá-la próxima a um aquecedor para secar e tê-la queimado.

Para as crianças conseguimos tudo em perfeita ordem, sem considerar a aparência, claro.

Já o André, saiu com um macacão térmico e impermeável que lhe rendeu o apelido de “Nerso da Capitinga”.

Nosso primeiro dia na estação de esqui foi marcante, por conta da experiência, a nossa primeira numa estação desse tipo e pelos pormenores que relato a seguir.

Lá, também numa loja, desta vez para os equipamentos, provamos nossas botas e ajustamos nossos esquis. Tudo tranquilo, considerando o fato de termos que aprender a andar com sapatos de plástico duros que nos pendem para frente. Aprendido isso, subimos em cabinas de teleférico até metade da montanha para nossas primeiras aulas, Ana e Binho em turmas de suas idades, André e eu na turma dos mais velhos. Bem mais velhos.

Bom, vou tentar resumir.

Compramos três dias de aulas e fizemos dois. Nossa turma contava com a Cecília, uma senhora que mal conseguia olhar para frente e com isso, mal conseguia parar em pé sobre os esquis. Depois dos primeiros ensinamentos, como parar e manter-se equilibrado, fazer curvas e caminhar, a monotonia foi ganhando o lugar da empolgação, porque tínhamos que esperar pela Cecília para descermos todos juntos, numa montanha de neve maravilhosa, fazendo a “cunha”, uma forma de V com pés tortos, para brecarmos, então vejam, não descíamos, fazíamos a bendita “cunha” até o final, porque a Cecília, mais uma vez, caía e levantava-se numa falta de velocidade assustadora.

Não posso me gabar, nem pretendo. No meu segundo dia, dentre tantos outros, tomei um tombo onde minha cabeça quase ficou enterrada na neve, o que me dá – ao menos – o mérito de ter me arriscado no esporte e ter seguido sem medo de cair ou fazer feio.

Depois que se pega o jeito, confesso, o barulho do vento e a neve batendo no rosto é a sensação mais incrível de liberdade que já senti até hoje.

Rezo para que um dia possa morar perto de um lugar assim, onde os anjos moram e repousam suas asas sobre os bracinhos das crianças que os desenham na neve.

O Fabinho, já no terceiro dia, em sua última aula, estava descendo a montanha pelas pistas de nível médio e ontem, desceu em outra pista com nível de dificuldade ainda maior. Está muito feliz.

Eu, no terceiro dia arrisquei-me na pista mais alta, ainda com nível de dificuldade para iniciantes, e no teleférico até lá, depois de dar com o bastão nas pessoas ao meu lado, enrosquei o esqui na saída, fazendo-o com que se soltasse do meu pé e cheguei lá em cima manca, saltando da cadeirinha com os bastões entre as pernas, o que resultou num bastão torto e num tombo, outro, memorável.

A Ana, por não entender o idioma e não ter feito amigos em sua turma, apesar de parar e descer a montanha sobre os esquis, não quis saber de colocá-los novamente nos pés e foi à montanha apenas para passear nos trenós guiados por huskies, o que me custou abdicar do vento na face para ficar com ela.

Eu poderia ter feito como algumas mães, que colocam os filhos nas aulas durante toda a semana, mas estamos em férias e em tempo de divertir-se e não é a minha intenção tornar esse momento um tormento para ela.

Então, no primeiro dia com a Ana, eu e ela fizemos um boneco de neve, muitos anjinhos e guerrinhas. Já ontem, eu e André nos revezamos, esquiei um pouquinho e logo descemos para a cidade, depois claro, de uma guerra de neve como nenhuma outra.

Hoje, estou no hotel com a Ana, é nosso último dia e a pequena está muito cansada. Chegamos tarde de um jantar maravilhoso, com novos amigos argentinos, pessoas encantadoras que a vida nos presenteou ao conhecer. Javier e seu filho Facundo, de 14 anos como o Binho, e por quem a Ana já se encantou.

André, Fabinho, Facundo e Javier estão na montanha.

Há muita neve por aqui, e quase ia me esquecendo de dizer que há muitas lebres também, que saem à noite em busca de comida e nos valeram algumas observações sobre seus comportamentos. Numa noite, tive a brilhante ideia de colocar um pedaço de pão em frente à nossa janela, na esperança de que o cheiro atraísse uma delas, ao invés disso, em poucos instantes, o que atraí foi um belo ratinho, sim, um camundongo, rápido e rasteiro veio beliscar o pão que parecia enorme para o seu porte.

Nesta manhã ainda era possível ver flocos de neve caindo. A montanha, vista da janela do nosso quarto, estava encoberta, muito provavelmente pela chuva de neve que caía por lá e agora, 10h da manhã, o céu começa a limpar e já é possível enxergá-la novamente com uma leve névoa ao redor.

Foi uma semana incrível, com muito mais para contar, e sabemos que jamais nossas palavras vão conseguir descrever esses momentos.

Falar em palavra, vale ressaltar, para mim, que não falo espanhol, e tampouco gosto de me arriscar num portunhol, pela simples razão de sentir-me maltratando a língua, tive que me render ao que conheço e por estar só – muitas vezes – eu e a pequena Ana, rendi-me a misturar nosso português para fazer-me entender. Confesso, mal sabia que conhecia tantas palavras desse idioma riquíssimo.

O Fabinho, então! É um boludo, no bom sentido (aprendi com os amigos argentinos que o termo pode ser usado também para brincar e não somente para ofender). Fala “portunhol” pelos cotovelos, profere teorias e frases que dariam também outro livro. O cara faz bem qualquer coisa que se propõe. É assim nos esportes e na dialética.

É isso, aliás, que levamos dos lugares pelos quais passamos: um pouco de vida, de conhecimento, de troca. Talvez possa chamar experiência ou talvez não caiba em qualquer palavra.

A essência dessa viagem está no que aprendemos.

E aprendemos um pouco mais sobre a alma de nossa família em todos esses momentos.

Coisas que estarão em nossas consciências para sempre.

Estamos muito gratos, pelo momento e por poder compartilhá-lo com quem amamos.

Até a volta Brasil!

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Diário de Bordo | Buenos Aires 2010

Eu não sei quem falou, mas já ouvi dizer que tudo o que começa com uma certa dificuldade tende a ser incrivelmente bom.

O começo desta viagem (que ainda não terminou) foi assim, uma verdadeira dificuldade e incerteza.

Tenho até vergonha de relatar esse início, explico, fui funcionária da TAM e escolhi a empresa para nos transportar até a capital argentina, entretanto, em minha cabeça havia a certeza de que para destinos no Mercosul as regras de embarque eram iguais as do Brasil, ou seja, jamais imaginei que precisaria de autorização do pai do Fabinho para embarcar com ele, que afinal já está com 14 anos!

Bela surpresa. Fui barrada na Polícia Federal. A mesma que em seguida me ajudou a embarcar a Ana com o André no voo planejado, e mais tarde, eu e o Binho, no próximo voo, saindo 10 horas depois do planejado.

Tempo este que passamos no aeroporto de Guarulhos para regularizar a documentação de embarque (que o pai do Binho encaminhou por motoboy até o aeroporto) e ainda, para seguirmos de taxi até nossa casa para buscar o original de minha certidão de casamento averbada, com o meu nome de casada como consta no RG do Binho, assim posso provar que sou a sua mãe.

Resolvido isso, embarcamos finalmente, eu e Fabinho nos dois únicos lugares vagos do voo noturno.

Chegamos em Buenos Aires um pouco depois da meia noite. Lá, fomos recebimos pelo Ariel, motorista da agência de turismo contratada por nós, que gentilmente nos levou até o hotel onde a Ana e o André já dormiam.

O primeiro dia (o nosso, meu e do Binho) foi surpreendente, porque imaginávamos algo bem diferente e o que encontramos foi algo tão próximo à nossa realidade, digo, à brasileira, que na minha cabeça, como não tenho fascínio por futebol, não consigo entender a rivalidade entre Brasil e Argentina, uma vez que somos países tão irmãos.

Admirou-nos a segurança e surpreendeu-nos a quantidade de cachorros numa cidade tão vertical. Vejam, a quantidade de cães é proporcional ao número de montinhos de cocô pelas calçadas, porque lá eles não recolhem.

Ficamos três dias, para esquentar os motores até San Martin. Fomos ao zoológico, um lugar amplo no meio da cidade e cheio de animais grandes, como elefantes e girafas. Estava tão cheio, tão cheio, que nossa paciência logo se esgotou e acabamos visitando-o pela metade.

Comemos bem, pagamos bem também. Fomos à Recoleta, ao estádio do Boca e à Porto Madero, o local que mais gostamos.

Conversamos com os taxistas sobre o Brasil, a Argentina, e outras coisas mais e o motorista que nos levou até o aeroporto para seguirmos nossa jornada de férias, uma pessoa indicada pelo hotel, que não se qualifica como taxista e sim um motorista de luxo (inclusive o seu preço!) marcou essa curta estada com sua personalidade caricata.

Ele mesmo, o Carlos. Pegou-nos cedo no hotel, sério, conversou com o André algumas palavras em espanhol e logo depois desatou a falar português, perfeitamente, e cheio de sotaque carioca. Juramos de pé junto que ele era carioca, mas ele logo nos desmontou da ideia e explicou que viveu no Brasil durante uns bons anos, no Rio, e que teve que aprender a falar português para “se virar na selva brasileira”.

Aprendeu bem, tão bem, que parecia um “malandro”, como ele mesmo dizia, em alto, largo e bom tom soando mais sílabas do que palavra realmente tem, mais ou menos desta forma: “malaandro”.

Assim ficamos no aeroporto regional de Buenos Aires, lotado, e embarcamos com destino à neve de San Martin de Los Andes, depois de vivenciarmos o mal comportamento de alguns brasileiros que começaram furando a fila do check in e fizeram outras tantas que não vale a pena relatar, nos matando de vergonha da bandeira verde amarela.

Amanhã voltaremos para lá, a fim de descansarmos um dia mais para seguirmos finalmente de volta ao lar.

A pequena está sentindo saudade de casa, da Lola e das coisinhas dela.

Logo voltaremos.